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Quedas no ar

Zona de devaneios, de personagens inventadas, Quedas no Ar, é o meu espaço dedicado às perdas de filtros.

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Quedas no ar

16
Jan21

Valsa

MgA

O compasso é de valsa, lento, convidativo.

Começa por hesitar, mas de repente perde o medo.

Abre os braços e, de início, rodopia lentamente, docemente.

De imediato o cérebro, já habituado a tais rodopios, cria o cenário adequado.

O cheiro amadeirado do chão, o som dos passos, o vento que sopra na cara e nos cabelos,

à medida que os seus passos aceleram, transportada por uns braços imaginários.

O sonho é tão perfeito que lhe parece sentir o seu respirar suave ser correspondido.

A música entra em replay, e o sonho passa a delírio, a ilusão.

A mão nas suas costas levam-na a sonhar cada vez mais alto, a dançar no ar, a dançar até ao fim.

 

Diz quem a viu, que deslizava pela rua fora, braços no ar num bailado imaginado, cabelos brancos de menina, sorridente até perder de vista.

30
Dez20

Final de ano

MgA

Era o último dia do ano.

Este ano, sem a excitação da preparação do tradicional último jantar com amigos e família, ela passou o dia de forma tranquilamente silenciosa.

A manhã passou-a a enviar mails, a dar um jeito à casa... Desmanchou os enfeites de Natal, desnecessários numa passagem de ano sem companhia.

Depois de um frugal almoço, dedicou-se ao jantar especial que programou para si. Cozinhou com a mesma dedicação que aplicara em anos anteriores. Fez o pão, o prato escolhido, escolheu o vinho, fez uma mini sobremesa.

Pôs na mesa - apenas um lugar e as velas preparadas para serem acesas. A casa, perfumada de lavanda, parecia perfeitamente sintonizada com ela.

Depois foi tempo de cuidar de si. Um relaxante duche, os cuidados com o cabelo, com a pele. Despiu-se do ano que terminava e vestiu-se lenta e cuidadosamente. O vestido novo, comprado especificamente para aquele dia, os sapatos de salto, tudo como em anos anteriores.

Às oito e meia, sentava-se à mesa, fazendo a sua refeição acompanhada pelo som de um jazz suave.

Quando terminou arrumou a louça na cozinha e sentou-se, copo de vinho na mão, na penumbra suavemente iluminada pelas velas. Na cabeça os diálogos que não teriam lugar nessa noite, o balanço do ano, a sensação dormente de um ano que não tinha chegado a ser. Lá fora o silencio.

Ali ficou à espera, na expectativa de um ano novo que compensasse o que terminava. Independentemente das notícias menos animadoras que vinham lá de fora, esta noite ela esforaçva-se por acreditar.

No dia seguinte olhará a realidade de frente, hoje é para sonhar.

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A todos que me acompanham por aqui, os votos de um bom ano novo!

Que 2021 vos traga tudo de bom, que permita o fim destes tempos difíceis, a retoma dos abraços físicos, o reencontro com amigos e famílias, a recuperação das maleitas (a todos os níveis) desta malfadada pandemia.

Um abraço.

27
Dez20

Vento sul

MgA

Por aquilo que, ela crê, foi um breve momento, o sonho dele foi dela e o dela foi dele.

Sonharam sonhos conjuntos e decidiram, juntos, seguir caminhos coincidentes.

Mas, gradualmente, o coração foi dando prioridade à razão, e o sonho deixou de ser.

Ela adaptou-se ao novo quotidiano, enquanto ele foi construindo uma fortaleza em torno de ambos.

De tempos a tempos, ela desconstruía um pouco do forte, para espreitar novas possibilidades, 

e de novo o coração acreditava no sonho.

Em cada uma das vezes, eles reencontravam-se e ele retomava a construção daquela que, pensava ele, era a fortaleza mais intransponível de sempre.

A construção terminou no dia em que ele a sentiu com os pés no chão, desistida dos sonhos de menina.

Por essa altura, eles tomaram o ritual de subir ao topo da torre mais alta, para ver os sonhos antigos lá em baixo; em cada visita o sorriso dela alargava-se e o coração dele alegrava-se, no recolhimento dela.

Um dia, ao subirem à torre, ao ouvido dela soprou o vento suão, num misto de sonhos novos e antigos.

Sorrindo-lhe, ela abriu as asas e voou, feita de novo borboleta, convidando-o a partir com ela.

Ao ver a sua hesitação, o vento suão soprou noutra direcção e levou-a sem ele.

Perdido na sua confusão, ele percebeu que se esquecera como voar. Perdera as suas asas.

Os tempos passaram e ele ficou a pensar na sua sorte.

Foi então que se lembrou de mandar construir umas asas fortes e leves que o levassem à boleia do vento suão.

Consta que, sempre que sopra o vento quente do sul, ele sobe ao alto da torre e fica à espera da direcção certa do vento para partir em busca dela.

 

 

20
Dez20

Natal

MgA

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De novo se sentia como quando era pequena, fascinada pelas iluminações de Natal.

Recordava a sensação da sua mão resguardada na mão da mãe, enquanto passeavam pelas ruas de Lisboa, a ver montras, embalada pelo cheiro a castanhas assadas.

Para ela a época era sempre especial, mesmo em tempos tristes.

Não era a religiosidade da época que a mantinha esperançosa, ou a ideia das prendas que sabia que iria receber.

Não.

Era a proximidade com o ano novo que a animava.

Adorava o cheiro a ano novo, a ideia de 365 novos dias para preencher e sonhar.

No fundo, sabia que ao fim de umas semanas a magia desaparecia, que voltava a cair no inevitável quotidiano. Mas durante duas ou três semanas, o tempo parecia cheio de possibilidades.

Era como quando começava um novo ano escolar e pensava em tudo o que poderia acontecer. Os novos amigos, as renovadas amizades, as aventuras, as promessas de namoros, o cheiro a livros novos. Todo um mundo de promessas, também.

Mesmo que sem resoluções de ano novo, que considerava vãs.

Assim vivia o Natal com a ansiedade de quem espreita por uma antecâmara, a adivinhar os segredos que os outros compartimentos poderiam albergar.

De optimismo renovado, olhos brilhantes, vestido novo e sapatos de festa, distribuía sorrisos, prendas e esperanças.

Na certeza de que um bom Natal precederia um excelente ano novo.

 

 

 

 

Feliz Natal a todos.

05
Dez20

Virtualidades

MgA

"Because I know you are going to be very happy with me and a perfect mom to my son".

Foi o que ele disparou, assim, sem pré-aviso.

No momento passou-lhe pela cabeça uma série de palavras impróprias para repetir aqui.

A história parecia mais uma repetição, em versão inglesa, das várias que já tinham acontecido ao longo do ano: 

O desconhecido que se apaixonou pela foto do seu cabelo; o que nunca a viu, nem em foto, mas se apaixonou Deus sabe porquê; Ambos a declararem amor e promessas de felicidade futura.

Houve o casal em busca de mulher bonita (eram obviamente míopes) para uma relação a três; Com toda a seriedade.

Tudo virtual, tudo sem nada que os identificasse além de um nome provavelmente falso.

E nem precisava aceder a sites de encontros!

Ainda não ia a meio do ano, já se perguntava que estrelinha marada é que a andava a seguir. Teria Cupido andado a beber e a disparar setas à toa?

Cansada, desactivou a página de facebook, onde, curiosamente, poucas fotos tinha mas mesmo assim quase tudo atraía. As coisas foram sossegando.

Passado uns tempos a estrelinha redescobriu-a, numa outra página discreta, fora das redes sociais, e a história repetiu-se. Mais um apaixonado.

Deu consigo a cogitar o que aconteceria se entrasse no jogo. Mas não o fez. Não conseguia.

Cansada de tanta brincadeira vestiu um fato à prova de setas de cupido, uma armadura à prova de pseudo apaixonados e seguiu caminho. 

Tudo sossegou.

Depois, por motivos de trabalho, reactivou a página de facebook. Colocou nova foto (a pior que encontrou) e retomou actividade e contactos antigos de amigos e colegas.

Contente, durante uns meses nada aconteceu e baixou a guarda. Ou cupido tinha deixado de beber, ou a tal estrelinha a tinha perdido de vista.

Até que o british surgiu. 

Fabuloso! A mesma conversa, a mesma velocidade de ideias, as mesmas palavras, com ligeiras adaptações. Mas desta vez com foto de corpo inteiro.

Sentou-se, olhou e imaginou tudo o que poderia acontecer.

Idealizou o que fariam juntos, como o ajudaria com o filho.

Sorriu, ruborizou-se quando a imaginação atingiu momentos mais... íntimos do casal.

Suspirou.

Olhou de novo para a foto. Suspirou mais uma vez e carregou na tecla bloquear contacto.

Estava na altura de acender uma velinha e ter uma conversinha virtual com o cupido...

29
Nov20

Cartas

MgA

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Joana não era crente. Não podia.

Como aceitar essa história de alguém olhar para umas cartas e dizer qual o seu futuro? Qual o caminho a seguir?

Mas Pedro insistia. Dizia que era ela quem não entendia.

Um dia numa discussão, Pedro tocou na sua corda sensível. Já tinha tentado tanta coisa: a curiosidade, o medo, o "vem porque te peço". Mas naquele dia Pedro deu a estocada certeira: "Afinal, passas a vida a dizer que tens abertura de ideias, mas é tudo treta!"

E assim, Joana via-se agora no carro, a caminho do consultório de uma qualquer cartomante.

- Deve ser bonita a tua cartomante, para tanto insistires - provocou amuada.

- É um homem, Joana. E nada bonito, diga-se a verdade. E é Dr. Rogério - ele é médico naturopata, na verdade.

Novo compasso silencioso. Pedro olhava-a de soslaio.

- Queres saber a verdade, Joana? Foi o Dr. Rogério quem insistiu que tu devias vir, pois sente que existe um impasse entre nós e não o consegue resolver sem te ver pessoalmente. A fotografia não chega.

-Rogério, o bruxo... E assim estrago uma tarde de sábado. Pedro, porque não vamos antes beber um café à beira-mar?

Pedro ignorou, continuando.

-Foi engraçada a reacção dele quando viu a tua fotografia. Fez um ar de espanto, como se te reconhecesse de algum lado. Quando lhe perguntei se já te conhecia, respondeu que sim "de outra vida".

Joana suspirou. Pedro era bom rapaz, gostava dele, mas toda aquela crendice era demais para ela. Na verdade, havia esse impasse entre ambos.

"Como é que um homem inteligente acredita em coisas daquelas?" Dali o pensamento de Joana divagou para o Dr. Santos, cliente do café ao pé do trabalho. Havia entre ambos algo de estranho, até as colegas comentavam.. Nunca se falaram além do cumprimento formal. Apenas um olhar, uma troca de sorrisos, mas algo lhe fazia vertigens quando pensava nele. Uma espécie de borboletas à boca do estômago. Será que também é crédulo?

Pedro desperta-a anunciando a chegada ao destino.

O consultório era num sítio bonito, fora da cidade, virado para o rio. Joana respirou fundo.

Pedro foi logo conduzido para a sala, Joana ficou à espera na entrada.

Cinco minutos depois, Pedro volta, contente, a chamá-la.

-Vem, Joana. - Sorri e confiante acrescenta - O Dr. Rogério diz que hoje é o "vai ou racha".

Entraram juntos na sala. Uma sala luminosa, decorada de forma minimalista e agradável. Rogério está de pé, de costas para a porta, e diz, secamente, sem se virar:

- Pedro, aguarde lá fora.

Joana acha tudo aquilo estranho. Diria mesmo que o bruxo estava nervoso. "Talvez não tenha lido as suas cartas do dia" pensou.

Pedro sem questionar saiu. Meia hora depois surgiu Joana, silenciosa e distraída.

 

Semanas depois, foram os três vistos a beber café, junto do trabalho de Joana.

Pedro aceitara, conformado, a decisão das cartas. Na verdade, até se sentia feliz por Rogério e Joana se terem reencontrado nesta vida. Pareciam felizes.

Quando as colegas de Joana, numa dada manhã, a surpreenderam num longo beijo com o Dr. Santos, ela justificou, enigmática:  "Foram as cartas".

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22
Nov20

Viagem de metro

MgA

"És tu! Eu sei que és tu! A mulher da minha vida!"

A insistência trazida até aos meus ouvidos, lançaram-me no caminho inevitável da curiosidade.

A viagem de metro normalmente era feita mergulhada num qualquer mundo literário, mas naquele dia o mundo real parecia infinitamente mais promissor.

"Não negues. Não me digas que não. Todo o universo diz que sim!" Insistia. O olhar mais do que convicção traduzia uma súplica. 

Como se todo o mundo dependesse de uma resposta que não surgia.

Aos poucos toda a carruagem começou a ser atingida pela sensação de eminente desastre, da vizualização do fim de um qualquer universo.

Excepto ela. Face virada para a janela, agia como se mirasse uma paradisíaca paisagem, em vez das reais paredes cinzentas.

Na voz a urgência cada vez maior: "Diz-me qualquer coisa, olha-me nos olhos. Estou aqui bem na tua frente. Sem ti, nada faz sentido", corpo inclinado, empurrado pela força da deslocação e da travagem da carruagem.

Novo movimento, o olhar desorientado, a incompreensão de uma carruagem inteira à espera.

Súbito, quase na paragem seguinte, ela levanta-se, pede licença e sai.

Seguimos espantados a sua expressão calma, como se de nada se passasse. Até nos apercebermos que na realidade vai entretida, de música nos ouvidos, alheia ao mundo suspenso que a rodeia.

"Porra, que insensível! Como é possível" reclamou o meu vizinho do lado.

Uma moça, de expressão condoída, senta-se de frente para o abandonado, com um sorriso de quem o compreende e oferece o apoio de um ombro amigo.

Ele olha-a espantado e diz-lhe, com expressão urgente:

"Será possível?" Oferecemos-lhe a nossa compreensão de abandonados na vida.

Ignorando-nos, ele inclina-se para a nova vizinha da frente e diz ansioso:

"És tu! Eu sei que és tu! A mulher da minha vida!"

16
Nov20

Dias

MgA
Dia cansativo, horas e horas a falar (eu que adoro o silêncio), com uma mascara a proporcionar um suadoiro digno de uma tarde de Verão.

 

Regresso a casa - tropeço duas vezes no caminho - meto-me no carro e deixo-me ficar uns momentos a olhar as estrelas. Não sei porquê, mas raramente arranco logo com o carro. É uma espécie de limpeza interna, mudança entre modo profissional e modo familiar.

 

Faço a breve viagem, sem trânsito aquela hora, e chego a casa (embora em modo automático, já que nem me lembro de ter feito parte do caminho).

 

Rua vazia, estacionamento disponível quase à porta. Penso "isto até está a correr melhor".

 

Saio do carro, pego na mala e na pasta, deixo cair a chave, que rola para debaixo do carro. Ponho-me de joelhos no chão, a mala (felizmente fechada) cai. Olho, encolho os ombros e aproveito para lhe pousar a pasta em cima.

 

Disponho-me a resgatar a chave, com o telemóvel a servir de lanterna. Apanho a chave, levanto-me e dou uma cabeçada na porta que está entreaberta.

 

Apanho a mala e a pasta, fecho tudo, começo a andar quando reparo num homem, à distancia, única presença na rua, que me observa: " a senhora está sem máscara".

Assim, sem boa noite, sem está tudo bem.

Espantada com o facto de no meio de tanta parvoíce ser esse o único reparo, engulo um impropério enquanto passo a mão pelo galo que se adivinha na cabeça.

 

Atravesso a estrada, olho para o lado para o jardim público mal tratado, quando tropeço mais uma vez e dou um soco no tronco de uma árvore ao tentar equilibrar-me.

"Feliz" com a forma como tudo corre, a cabeça dorida, assim como um dos dedos do pé e as costas da mão, ainda olhei para trás à espera que o senhor dissesse "a senhora continua sem máscara".

 

Não aconteceu. Mas dadas as circunstâncias suponho que seria o comentário óbvio...

 

Entro em casa, conto as minhas aventuras (para não chamar parvoíces) a quem lá anda, o que é recebido com uma estrondosa gargalhada.

 

Bendito seja o sentido de humor da família!

Minha salvação nos dias que correm. 
11
Nov20

Folga (carta de ninguém)

MgA

O dia hoje é de folga.

Bem, folga a sério não. 

É dia de trabalho não remunerado:

Estudar (é um vício);

Organizar papeladas pessoais e de trabalho (é um sacrifício);

Ouvir música (é inevitável);

E, de tarde, tirar uns momentos de preguiça para ler ao sol (é saudável).

 

A mecanização das tarefas, associadas à música de fundo, trouxeram-me ao pensamento razões antigas.

Ou seriam emoções?

Há músicas que (quase) tudo explicam. 

Que me fazem acenar a cabeça, abanar o corpo e sentir. 

 

Não. Não poder ser!

Não tenho espaço em mim,

para te tratar com preferências, 

estabelecer exclusividades.

E há diferenças que são irreconciliàveis,

Embora esteja disposta a fazer cedências.

Mas toda a gente sabe: eu (quase) nunca volto atrás.

 

No entanto... 

 

"Favoritism ain't my thing but,
In this situation I'll be glad to make an exception" (Adele)

 

07
Nov20

...

MgA

Apetece-me encher esta página de reticências e deixar ao teu gosto interpretá-la.

Sorrir perante as sugestões do meu humor, ou chorar perante as indeterminações das tuas observações.

Arriscar uma página inteira, plena de reticências, para ver o que arriscarias dizer.

Serias coerente com as minhas incoerências ou seria toda a tua resposta uma sucessão de pontos de exclamações e interrogações?

Talvez começasses por pensar que algo estaria errado quando te entregasse a minha página. Ou pensasses que haveria um erro de impressão.

 

Mas já pensaste bem? Uma página cheia de pontos, alinhados em trio.

Com elas poderias desenhar todo um mundo, como naqueles jogos de criança, que ao juntarmos os pontos obtínhamos um peixe ou um chapéu-de-chuva. Ou um coração.

Posso até prometer não numerar os pontos, para que possas desenhar as linhas ao teu gosto, unindo os meus pontos, rematando as minhas reticências.

 

Sentes-te com coragem para aceitar o desafio?

Se sim, envia-me uma vírgula, ou um ponto e vírgula. 

Depois juntos havemos de terminar num belo e afirmativo ponto final. Ou em promissoras reticências se preferires...

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